domingo, agosto 24, 2008

Linha do Tua ou o grandioso circo das automotoras voadoras!

Já fazia algum tempo que eu não vinha para aqui mandar postas de pescada mas infelizmente, pelo piores motivos, voltou a acontecer... Mais uma automotora que deu uma pirueta na linha do Tua e foi ribanceira abaixo! Infelizmente, neste número de circo que é a exploração desta linha, onde as automotoras passam a vida a fazer piruetas pelas razões mais inexplicáveis.
Quer dizer, inexplicáveis para quem não pôde ler os relatórios dos acidentes /incidentes que por aí andam perdidos pelos gabinetes do IMTT / Ministério Publico / REFER / Secretaria de Estado dos Transportes sob o escudo do Segredo de Justiça!
Ora como a maior parte dos Portugueses não trabalha para tais entidades, eu incluído, podemos assumir com toda a segurança que cerca de 99.9% da população está na mais perfeita ignorância no que toca às causas destes eventos, daí que eu (e talvez alguns Portugueses) estejamos a pensar na “teoria da conspiração”. Essa teoria da conspiração é perfeitamente plausível tanto mais que dificilmente um comboio descarrila a menos de 40 km/h por razoes que não sejam perfeitamente identificáveis, 90% das quais se deve a um qualquer defeito na via, defeito esse que terá de ser perfeitamente identificável a olho nú!
Um mito que deve ser desmistificado é o de que um comboio a baixa velocidade em vias em mau estado descarrila por da cá aquela palha! Se a via não der de si isso É MENTIRA!
Não se conseguir identificar a causa de um descarrilamento a baixa velocidade é algo de BASTANTE IMPROVÁVEL, porque tudo o que interveio no descarrilamento fica na zona do descarrilamento e, não havendo contaminação/subtracção de provas, qualquer investigador minimamente ciente e competente no seu trabalho saberá recolher essas provas e mesmo que algumas delas tenham sido subtraídas ou desaparecido, assumir que elas lá estavam (há um caso em que isto não acontece mas que por exclusão de partes se pode assumir como o causador! Já falo disso…).
Por estes factos e por outros estou completamente convencido que pelo menos dois dos descarrilamentos foram provocados… No caso do segundo descarrilamento (creio! São tantos que já perdi a conta!), uma automotora só ficaria naquela posição com uma forte “alavancagem”, sendo que a via está APARENTEMENTE intacta… ora, num dos fóruns ferroviários da praça há um participante que levanta suspeitas baseadas exactamente neste pressuposto.

Podem verificar isso em:

http://www.comboios.org/forum/viewtopic.php?t=13192&postdays=0&postorder=asc&start=15

e ainda em:

http://www.comboios.org/forum/viewtopic.php?t=13192&postdays=0&postorder=asc&start=30

(aqui está o detalhe que chamou a atenção)

Ora, neste caso, vendo as fotografias, em:

http://jn.sapo.pt/multimedia/galeria.aspx?content_id=983607

é aparente que a via não está em tão mau estado quanto muitos por aí apregoam (vão ver o estado em que está a linha de Évora para Estremoz, onde passa um comboio carregado de cimento todas as semana puxado por uma maquina de cerca de 100 ton… bem pior! Claro que volta e meia vai para o chão! Ah, a velocidade máxima é 40 km/h…). Aliás, pela fotografias nota-se que a via está em estado razoável… Podem não acreditar mas aquela via, em via larga daria para um comboio andar a uns 80 km/h em perfeita segurança (isto cá em Portugal, porque diz-se por aí que em Espanha daria para 100 ou 120 km/h) ! Como neste caso é via estreita, a base de estabilidade é menor daí que a velocidade seja cerca de metade!
Nestas condições, MUITO DIFICILMENTE, (com a via naquele estado) um comboio descarrilaria sem auxílio externo! Se não existir defeito na via, que quase de certeza seria detectado visualmente pelo maquinista se fosse assim tão sério, só algo colocado na via e oculto ao olhar do maquinista provocaria o descarrilamento… Tendo em conta que era cerca de meio dia quase um obstáculo seria certamente visível para o maquinista… ou talvez não!
Um maquinista, quando olha para a via, dada a extensão de via que tem para analisar e o pouco tempo que tem, não vê propriamente tudo o que possa interferir com a marcha do comboio… não quero entrar em detalhes. Para quem sabe vou apenas citar um caso: Descarrilamento de uma automotora na linha da Póvoa, há uns valentes anos, que provocou a morte do maquinista derivado do embate da frente da automotora contra o túnel! Claro que nessa altura se descobriu a causa, porque o que provocou o descarrilamento não tinha por onde desaparecer (Trincheira, entrada de túnel)… agora no Tua, no 2º e 4º descarrilamento a linha era o ponto mais alto (no caso do 2º descarrilamento tinha o penhasco a curta distancia mas havia uma cova(onde foi parar a automotora) entre o penhasco e a linha… Neste caso, o que poderá ter provocado o descarrilamento terá voado para bem longe com o impacto da automotora… Ao longo da historia há vários casos de descarrilamentos similares, alguns até provocados inocentemente mas com consequências gravíssimas!
O que é? Quem for ligado ao meio ferroviário saberá certamente ao que me refiro… Quem não for, também não tem necessidade de o saber… é que por aí há muita gente má!
A ver vamos o que sai dos inquéritos, se é que sai alguma coisa de jeito ou se nos continuam a ocultar a verdade!
Quanto às condiçoes de exploração e segurança da linha, isso é assunto para outro dia!
Podem ler mais coisas acerca disto no publico.pt, nomeadamente em:



Boa noite, vou dar uns tiros para relaxar!

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quinta-feira, abril 05, 2007

Inquérito ao acidente do Tua

Como a cromalhada que pseudo governa este país (isto anda em auto gestão desde que os romanos daqui saíram) não quer divulgar os relatórios mesmo que o ministério público não avance com qualquer processo judicial (se não ainda ia alguém para a prisão... era chato realmente), avançamos nós aqui (adoramos falar no plural... é tão, sei lá, moderno!) com o resumo do inquérito, que a cromalhada não quis disponibilizar publicamente.
O autor deste resumo é um afamado entulhista carroceiro da nossa praça, cujas fontes são totalmente crediveis:



O dito relatorio prova a cupla do maquinista (falecido) , o revisor (tambem falecido) tinha trocado o turno com o outro (apesar de estar embriagado foi trabalhar ... e levou o garrafão) , o 3º baldou-se mais cedo pra aproveitar a boleia e não perder assim o petisco.. .e iam os 3 a experimentar a pomada e a cantarolar... portantos vilipendiem-se as vitimas.

Já os passageiros estavam a namoriscar no banco traseiro ... e o "filme" motivou a desatenção dos ferroviários ... portantos apedrejem-se os passageiros.

A automotora não tinha feito a revisão devida ... portanto leve-se a tribunal

O desabamento de terras deveu-se a que o sub.sub.empreiteiro em vez de aplicar os 1500m2 de rede de aço que deveriam ter sido aplicados nas encostas resolveu (e bem segundo alguns) aplica-los na vedação do seu quintal... portantos apedrejem-se os empreiteiros.

A linha desabou porque há 100 anos em vez de terem enfileirado uma parede de pedras limitaram-se a despejar terra para fazer o aterro ... vá-se lá desenterrar o raio do engenheiro que projectou tamanha utupia.




Já agora, 3 dias depois do espetanço no norte de Inglaterra, já estava o relatório preliminar no seguinte endereço:

http://www.raib.gov.uk/publications/current_investigations_register.cfm


Se a cromalhada fosse mas e cavar batatas... enfim

bons sonhos (eu sei, são 10 da manha mas tenho tanto sono....)

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quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Tua

Antes de mais, os meus pêsames às famílias dos falecidos neste acidente e os meus desejos que os corpos dos dois desaparecidos sejam encontrados o mais rápido possível, para que se possa dar descanso às suas famílias e suas almas.

Este acidente, aparentemente, apenas ocorreu pelo infortúnio do o desabamento ter ocorrido à passagem da automotora, razão pela qual foi impossível ser evitado. Não há sistema da sensores que consiga evitar isso!

Tivesse o desabamento ocorrido segundos antes ou depois e provavelmente não teria passado de um susto(até porque aquilo ficava numa recta), sendo que as velocidades praticadas naquela linha são mais do que adequadas(naquele troço era 45 km/h) e têm em conta estes factores.

Há coisas em quer eu critico a REFER, mas não vou embarcar em caças às bruxas no caso presente pois não há razão para tal. Isto foi apenas e só um infortúnio que dificilmente seria evitado! Diga-se que foi o primeiro acidente de monta desde que a linha existe!

Certamente que será possível tentar monitorizar-se melhor todas as variáveis passiveis de causar acidentes destes, mas pouco mais se consegue fazer do que é feito actualmente. (Se quiserem pôr os comboios a andar mais depressa isso já é outra história!)

A linha do Tua é de uma beleza que as próprias fotografias da tragédia atestam. Já foi classificada como uma das mais belas linhas da Europa e neste momento há uns cromos desertos para a porem debaixo de água!

Eu gostaria de saber quando é que se fará um real aproveitamento turístico das belezas naturais que temos, usando em especial o caminho de ferro como meio para as mostrar... acreditem que dava dinheiro!

Se há coisa que me parte a cabeça é tentar saber a razão porque os poderes políticos impedem a associação do Caminho de Ferro ao turismo! É impressionante! Para o bem de uns quantos mantém-se o interior sem quaisquer perspectivas de desenvolvimento barrando todos os mais óbvios, naturais e reconhecidos meios de incentivo ao turismo.

É uma "granda merd@" é o que é!

Vou dormir...




PS - As operações de salvamento, pese as noticias contraditórias, funcionaram de uma maneira muito aceitavel(a meu ver) tendo em conta as condições em que decorreram. Muito nacional desenrascanço à mistura, mas ser Português é isso mesmo... na adversidade e no imprevisto dar o litro para ajudar o próximo nem que haja barracada a torto e a direito! (os Miúdos, que provavelmente nunca tinham andado de helicóptero, ainda deram umas voltinhas valentes (no estado em que estavam não deve ter sido muito agradável mas prontos... já agora, em quatro horas o INEM montou um hospital de campanha no Tua? dasssss tão a ficar bons!)

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segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Douro e a colecção Berardo

Ora, hoje apeteceu me mandar mais umas postas de pescada... aqui vão elas:

Hoje, andava eu nas minhas lides profissionais quando ouvi um resumo da entrevista que foi dada pelo presidente da Casa de Serralves, António Pinho. Mais ou menos o que ouvi, pode ser encontrado transcrito no sitio da Radio Renascença:

"Hoje[11/02/07], o “Diga Lá, Excelência...”, programa da Renascença e “Público”, entrevistou António Gomes de Pinho, presidente da Casa de Serralves.

Para aquele que foi um dos fundadores do CDS, Gomes de Pinho afirma que já não tem qualquer ligação ao partido, pois é hoje completamente diferente do seu tempo e distingue-se como um "viúvo da política".

Para o ex- secretário de Estado da Cultura, Portugal devia apostar nas industrias criativas, que não exigem muito capital, ou seja, investir nos talentos como se aposta nas energias renováveis.

Sobre o negócio realizado entre o Estado e Joe Berardo, Gomes de Pinho refere que o coleccionador fez um bom acordo, mas refere que não faz sentido o Estado gastar 300 milhões de euros numa colecção daquelas, até porque há outras formas de ter acesso à arte sem grandes custos.

Gomes de Pinho confirma ainda que Serralves está a negociar o depósito, em Portugal, e de graça, de uma colecção americana muito importante - não referindo qual.

Fazendo uma comparação entre a colecção Serralves - avaliada em 54 milhões - e a de Berardo - avaliada em 300 milhões - , Gomes de Pinho diz que a de Serralves não foi avaliada por uma leiloeira (a de Joe Berardo foi avaliada pela Christies), que os museus não compram em leilões e que a colecção Berardo não tem uma lógica de museu.

Por fim, o presidente de Serralves propõe a criação de um fundo de investimento para a cultura financiada por mecenas, pelo Estado e pela taxação das mais valias.

António Gomes de Pinho foi entrevistado pelos jornalistas Dina Soares, da Renascença, e Manuel de Carvalho, do “Público”.

O “Diga Lá Excelência”, um programa da direcção de Informação da Renascença, em colaboração com o “Público”, pode ser lida na edição de hoje do diário e vista logo à noite no canal de televisão “Dois”.

RR"

O que me chama a atenção disto é o facto de o Governo estar disposto a dar 300 milhões de euros, por uma colecção que pouco ou nada tem a haver connosco. É acima de tudo um negócio dúbio, a meu ver, que serve os interesses de poucos e pouco valor acrescentado trás ao nosso país, seja monetariamente seja socialmente ou até culturalmente!

Por outro lado, a ministra da Cultura falou em reactivar o troço de linha Pocinho - Barca de Alva, o que custaria algo como 11 milhões de euros para reabrir a linha preparada para 80 km/h, que é o máximo que o traçado e o interesse turístico permitem (vão me perdoar mas só um tolo pensaria em reabrir a linha com armação para 30 km/h, o que custaria 4,5milhoes!). Claro que houve logo alguém que veio desmentir isso...

Que escandaleira, gastar um balúrdio desses num troço de linha, cuja reactivação é praticamente consensual entre agentes económicos, políticos locais e regionais (e pelos vistos até alguns nacionais), trará benefici9os económicos a uma região votada ao abandono, onde a agricultura vai dando emprego a poucos e o turismo é uma mina de ouro inexplorada em grande parte do seu potencial....

Seja, compre-se a colecção Berardo, a bem da Nação!

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